Jurisprudência autenticada e governança da informação jurídica: a construção de uma infraestrutura de confiança para precedentes judiciais na era da Inteligência Artificial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.20517306

Palavras-chave:

precedentes judiciais, jurimetria, inteligência artificial, governança da informação, jurisprudência, Poder Judiciário, transformação digital

Resumo

O presente artigo analisa a necessidade de construção de uma infraestrutura institucional de confiança para a governança da informação jurídica, com foco na autenticação, rastreabilidade e validação de precedentes judiciais na era da inteligência artificial. Parte-se do reconhecimento de que a jurisprudência assumiu papel central na produção contemporânea do Direito, deixando de ser mero registro histórico de decisões para se tornar fonte relevante de orientação da atividade jurisdicional, da advocacia, da pesquisa acadêmica e da administração da Justiça. Contudo, a circulação de ementas e acórdãos em ambientes digitais, bases privadas e sistemas de inteligência artificial fragiliza o vínculo entre o conteúdo reproduzido e a fonte oficial originária, ampliando riscos de descontextualização, desatualização e alucinações jurisprudenciais. O estudo propõe um modelo de certificação dinâmica de ementas, baseado na geração de identificadores criptográficos em tempo de execução, integrados ao fluxo de utilização de modelos de linguagem. A metodologia apresentada estrutura um middleware entre bases jurisprudenciais oficiais e sistemas generativos, permitindo consulta semântica, ancoragem de contexto, geração rastreável de documentos e validação pública externa. Conclui-se que a jurisprudência autenticada representa não apenas uma inovação tecnológica, mas uma exigência epistemológica e institucional para preservar a segurança jurídica, a integridade decisória e a confiabilidade da informação jurídica no contexto da transformação digital do Poder Judiciário. 

Biografia do Autor

  • Antônio Pires de Castro Júnior, Universidade Federal de Goiás (UFG)

    Doutorado em Engenharia Elétrica e de Computação pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Mestrado em Ciência da Computação pela Universidade de Campinas (Unicamp). Graduação em Ciência da Computação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7937117871345131

     

  • Jeronymo Pedro Villas Boas, Tribunal de Justiça do Estado de Goiás

    Mestrado em Direito pela Universidade de Lisboa, UL, Portugal. Especialização em Direito Constitucional pela Universidade de Lisboa, UL, Portugal. Especialização em Direito Processual Penal pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Graduação em Direito pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB). Desembargador no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9519669745242401.

Referências

ALARIE, Benjamin; NIBLETT, Anthony; YOON, Albert. How Artificial Intelligence Will Affect the Practice of Law. SSRN, [s.l.], 2017. DOI: 10.2139/ssrn.3066816.

ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais. São Paulo: Malheiros, 2008.

ATIENZA, Manuel. As razões do direito: teorias da argumentação jurídica. São Paulo: Landy, 2003.

BOUTIER, Indira. Understanding Vulnerability through the Eyes of the European Court of Human Rights’ Jurisprudence: Challenges and Responses. Peace Human Rights Governance, [s.l.], v. 8, n. 1, p. 27-52, 2024. DOI: 10.14658/PUPJ-PHRG-2024-aof-6.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Recomendação n. 154, de 13 de agosto de 2024. Dispõe sobre diretrizes para o uso da inteligência artificial no Poder Judiciário. Brasília, DF: CNJ, 2024.

BUSTAMANTE, Thomas da Rosa de. Teoria do precedente judicial: a justificação e a aplicação de regras jurisprudenciais. São Paulo: Noeses, 2012.

CANADA. Government of Canada. Algorithmic Impact Assessment. Disponível em: https://www.canada.ca/en/government/system/digital-government/digital-government-innovations/responsible-use-ai/algorithmic-impact-assessment.html. Acesso em: 01 jun. 2026.

CASTRO JR., Antonio P.; WAINER, Gabriel A.; CALIXTO, Wesley P. Application of Artificial Intelligence in the Automatic Identification and Classification of Repetitive Demand Resolution Incident in the Brazilian Court of Justice. Revista da Faculdade de Direito, [s.l.], v. 45, 2021.

CASTRO JUNIOR, Antonio P.; SILVA, Ítalo de Souza; MANSO, Carina Barreto. Modelo em Duas Etapas para Classificar Petições Iniciais Previdenciárias. Revista Goyazes, Goiânia, v. 4, n. 1, p. 1–19, 2026. DOI: 10.5281/zenodo.19443425.

CASTRO JUNIOR, Antonio P.; WAINER, Gabriel A.; CALIXTO, Wesley P. Weighting Construction by Bag-of-Words with Similarity-Learning and Supervised Training for Classification Models in Court Text Documents. Applied Soft Computing, [s.l.], v. 124, art. 108987, 2022. DOI: 10.1016/j.asoc.2022.108987.

CASTRO JÚNIOR, Antônio Pires de; CALIXTO, Wesley Pacheco; CASTRO, Cláudio Henrique Araújo de. Aplicação da Inteligência Artificial na identificação de conexões pelo fato e tese jurídica nas petições iniciais e integração com o Sistema de Processo Eletrônico. Revista CNJ, Brasília, v. 4, n. 1, p. 9-18, 2020. DOI: 10.54829/revistacnj.v4i1.107. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/ojs/revista-cnj/article/view/107. Acesso em: 2 jun. 2026.

CEPEJ - European Commission for the Efficiency of Justice. European Ethical Charter on the Use of Artificial Intelligence in Judicial Systems and Their Environment. Council of Europe Portal, 2018. Disponível em: https://www.coe.int/en/web/cepej/cepej-european-ethical-charter-on-the-use-of-artificial-intelligence-ai-in-judicial-systems-and-their-environment. Acesso em: 01 jun. 2026.

CNJ - Conselho Nacional de Justiça. Resolução CNJ n. 332/2020: ética, transparência e governança na produção e uso de inteligência artificial no Poder Judiciário. Brasília, DF: CNJ, 2020.

DWORKIN, Ronald. O império do Direito. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Introdução ao estudo do Direito: técnica, decisão, dominação. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2019. p. 245-251.

GARAPON, Antoine; LASSÈGUE, Jean. Justice digitale. Paris: Presses Universitaires de France, 2018.

GUASTINI, Riccardo. Das fontes às normas. Tradução de Edson Bini. São Paulo: Quartier Latin, 2005.

HARTMANN PEIXOTO, Fabiano; BONAT, Debora. Direito na Era da Inteligência Artificial e Impactos em Direitos Fundamentais. Revista EJEF, [s.l.], v. 1, n. 1, 2024. DOI: 10.70982/rejef.v1i2.21.

HARTMANN PEIXOTO, Fabiano; BONAT, Debora. Inteligência Artificial e Processo Judicial: Otimização Comportamental e Relação de Apoio. Revista Humanidades & Inovação, [s.l.], v. 8, n. 47, 2021.

HERI, Corina. Responsive Human Rights: Vulnerability, Ill-Treatment and the ECtHR. Oxford: Hart Publishing, 2021.

HESSE, Konrad. A força normativa da Constituição. Tradução de Gilmar Ferreira Mendes. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris, 1991. p. 14-22.

HILDEBRANDT, Mireille. Law for Computer Scientists and Other Folk. Oxford: Oxford University Press, 2020.

KINCHIN, Niamh. “Voiceless”: the Procedural Gap in Algorithmic Justice. International Journal of Law and Information Technology, [s.l.], v. 32, 2024. DOI: 10.1093/ijlit/eaae024.

LUHMANN, Niklas. Legitimação pelo procedimento. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 1980.

MENDES, Aluisio Gonçalves de Castro; HARTMANN, Ivar Alberto Martins. Jurimetria e tecnologia aplicada ao Direito. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.

PERELMAN, Chaïm. Lógica jurídica: nova retórica. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004. p. 139-172.

SANTOS, Willgnner Ferreira; VIANA, João Gabriel Grandotto; CASTRO JÚNIOR, Antônio Pires de; TRINDADE, Fernando Ribeiro; SILVA, Nádia Félix Felipe da. LexIris-pt and LexBert-pt: Specialized Sentence Embeddings for Legal Similarity in Brazilian Portuguese. In: Proceedings of the 17th International Conference on Computational Processing of Portuguese (PROPOR 2026), [s.l.], v. 1, p. 540–550, 2026.

SOURDIN, Tania. Judge v Robot? Artificial Intelligence and Judicial Decision-Making. UNSW Law Journal, [s.l.], 2018.

STRECK, Lenio Luiz. Jurisdição constitucional e hermenêutica: uma nova crítica do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2002.

SUSSKIND, Richard. Online Courts and the Future of Justice. Oxford: Oxford University Press, 2019.

TARUFFO, Michele. Precedente e jurisprudência. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014.

UNIÃO EUROPEIA. Artificial Intelligence Act — High-Level Summary. 2024. Disponível em: https://artificialintelligenceact.eu/high-level-summary/. Acesso em: 02 maio 2026.

VILLAS BOAS, Jeronymo. Jurisprudência sintética e hermenêutica. Revista DirIA - Direito e Inteligência Artificial, Goiânia, v. 1, n. 1, 2026.

XU, Hanzi et al. VECHR: A Dataset for Explainable and Robust Classification of Vulnerability Type in the European Court of Human Rights. In: Proceedings of EMNLP 2023. Disponível em: https://aclanthology.org/2023.emnlp-main.718/. Acesso em: 1º maio 2026.

YEUNG, Karen. Algorithmic Regulation: A Critical Interrogation. Regulation & Governance, [s.l.], 2018.

Downloads

Publicado

02.06.2026

Como Citar

Castro Júnior, A. P. de, & Villas Boas, J. P. (2026). Jurisprudência autenticada e governança da informação jurídica: a construção de uma infraestrutura de confiança para precedentes judiciais na era da Inteligência Artificial. Revista DirIA - Revista Direito E Inteligência Artificial, 1(1), 29-50. https://doi.org/10.5281/zenodo.20517306